Trabalho com eventos: a quarentena vai me quebrar?

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Por Renata Gimenez, especialista em Direito Bancário

Empresas do segmento de eventos foram seriamente afetadas com a pandemia.

No Brasil, foram as mais atingidas pelo isolamento social.

Um levantamento feito pelo Sebrae no ano passado indicava que 98% do setor foi atingido diretamente pela pandemia.

A pesquisa ouviu prestadores de serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas.

Também foram ouvidos profissionais cujos trabalhos envolvem aluguel de estruturas como palcos, estandes, iluminação, som, bem como serviços de filmagens, produção fotográfica, bufê de festas, decoração, assessoria cerimonial, seguranças, transporte, agência e operadora de turismo, entre outros.

Esses profissionais e empresas projetaram uma realidade de infraestrutura, estocaram para vender nos eventos no decorrer do ano de 2020.

E para que isso fosse possível, realizaram empréstimos em bancos.

Veio a Pandemia e os eventos foram cancelados.

Acreditou-se que a situação melhoraria em 2021 e não foi o caso. Alguns diriam até que piorou.

A situação que estamos vivendo é totalmente imprevisível.

Envolve uma forte carga emocional e as frustrações são evidentes.

E o que as empresas de eventos podem fazer para lidar com esse momento de crise?

Vão aqui algumas dicas para você lidar com o problema do endividamento da sua empresa.

Enfrente o problema de frente

Não cruze os braços nem se engane: você tem um problema que deve ser resolvido de frente. 

Se antecipe e procure o banco. 

Pergunte quais alternativas existem para situações como a sua:

  • prorrogação do prazo para pagamento;
  • repactuação;
  • desconto para pagamento em determinadas condições? Enquadramento em outra linha de crédito? 

Se o banco conceder prazo para você pagar o empréstimo, esteja atento a alguns detalhes.

1º) Se a instituição está propondo uma pausa no contrato ou se você terá que arcar com os juros do período em que for dada a carência por conta da suspensão.

2º) Se não haverá acúmulo de prestações quando você voltar a pagar o empréstimo (parcelas atuais + parcelas do período de suspensão do contrato).

Considere um bom acordo se o banco conceder um prazo para pagamento e que quando você voltar a pagar, que seja apenas uma parcela, sem acúmulo.

E se o banco não negociar?

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Se o banco se recusar a negociar sua dívida ou não oferecer uma proposta viável, prepare um requerimento formal, por escrito.

Pode ser por e-mail, WhatsApp ou até mesmo Cartório de Títulos e Documentos. 

Explique as razões pelas quais não poderá cumprir o que foi contratado originalmente, apresentando uma proposta que seja viável para sua nova situação financeira e dando um prazo para que o banco retorne sua solicitação.

Se esse requerimento não ajudar na negociação com o banco, ainda é possível a saída judicial.

A saída judicial

Havendo necessidade, recorra ao Poder Judiciário através do seu advogado.

Com a Pandemia, vêm sendo acolhidas Medidas Judiciais com Pedido de Prorrogação de Parcelas.

Mas cuidado! Não entre numa aventura judicial.

Prorrogação de parcelas por meio de ação judicial requer provas de que a pandemia teve um impacto financeiro direto e negativo em seu negócio, resultando na impossibilidade de pagamento durante um determinado período.

O pedido precisa estar bem fundamentado e com provas robustas, caso contrário será perda de tempo e dinheiro com advogado.

Seu advogado poderá avaliar a qualidade das provas que sua empresa conseguiu levantar para uma possível ação judicial.

O que não fazer?

Não se submeta a tudo o que o Banco lhe impuser

Propostas que beneficiam apenas o Banco não devem ser aceitas sob nenhuma hipótese.

Fique sempre atento às propostas de renegociações que exigem garantias.

Pode não ser vantajoso aceitar a proposta do banco sob a condição de dar um imóvel seu em garantia, por exemplo.

Ainda mais num cenário em que não há uma perspectiva clara para o fim da crise

Isso poderá comprometer ainda mais seu patrimônio.


Renata-Gimenez

Renata Gimenez é advogada, com atuação na área de débitos bancários e Direito do Transporte/Trânsito. Empresária de 2013 a 2020, hoje atua na negociação de débitos e defende os devedores de bancos.

Sobre Negociar com Bancos

Conteúdo voltado para devedores aprenderem a negociar suas dívidas com os bancos.

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